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Aprender a viver em um ambiente de diversidade é um dos principais desafios do mundo contemporâneo-é, portanto, da educação. Ao longo da vida escolar, os estudantes se deparam com todo tipo de diferença: de gênero, raça, valores, religião, expressão da sexualidade, ritmos de aprendizagem, configurações familiares, etc.
A diversidade é uma construção social. Isso significa que as distinções não existem em si mesmas. Elas são sempre produto da cultura. Ao definirmos pessoas ou atitudes como estranhas, estamos comparando-as a parâmetros previamente estabelecidos. O que entendemos por normal, correto e direito? Quem dita ou reforma os padrões culturais e estabelece as normas são os grupos e as instituições com capacidade de influenciar a sociedade-ou seja, a escola, a família, os amigos, a televisão, os jornais, as novelas, as revistas, a internet, as redes sociais, etc. Mas qual o poder da escola diante de atores tão pouco aberto à tolerância.
Primeiro, devemos perceber que a falta de abertura não significa necessariamente rejeição. O outro é visto com frieza ou até mesmo com desconfiança e temor por representar uma ameaça ao universo conhecido. Sob esse ponto de vista, a reação agressiva ou indiferente àqueles que subvertem nossas convicções sobre o "verdadeiro modo de ser "funciona como uma forma de autoproteção.
Quando ocorre a reação defensivo estudante precisa ser orientado a sair da posição de quem está sendo atacado nas certezas e passar a se relacionar com as diferenças por meio de uma perspectiva integradora. Para transformar a reação dos estudantes diante das diversidades, o trabalho educacional tem de instigar o questionamento sobre a origem histórica-social, política, jurídica, econômica, cultural -dos padrões estabelecidos.
Contudo, além de buscar o entendimento racional daquilo que foge à nossa familiaridade, é preciso sentir e experimentar o outro, deixando que ele nos afete emocionalmente. Acredito que o contato afetivo é o único capaz de transformar a qualidade das relações pessoais. O que me encanta no outro?
O que me incomoda-o que me aterroriza? Provocar essas perguntas e despertar a curiosidade nos estudantes também é tarefa da escola.
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(Iavelberg, Catarina. Para conviver com a diversidade. Gestão escolar)
